VÍTIMA DAS CIRCUNSTÂNCIAS OU AUTORA DA SUA HISTÓRIA?

Já fui dessas pessoas que viviam na defensiva e que não poupava argumentos para justificar a falta da própria fatia de responsabilidade sobre o que acontecia em minha vida.
Dessas, que ao primeiro questionamento, apresentava argumentos “tão convincentes” que era capaz, até mesmo, de se convencer com o seu poder de vitimização.
Mas vamos ser honestas, se não podemos evitar o inevitável, ao menos podemos ressignificar a maneira como encaramos o resultado do que foi gerado por ele.
Digo isso porque todas nós estamos sujeitas a sofrer formas de violência que estão muito longe do nosso controle. Sejam verbais, sejam físicas, mas todas com poder de impacto em nossas emoções. A grande diferença está na forma como permitimos que essa violência impacte sobre as nossas vidas.
Conheci uma moça que teve um filho do padrasto aos 12 anos de idade. Fiquei por dias sofrendo cada vez que eu imaginava como teria sido difícil para ela superar aquilo vendo o filho crescer ao seu lado. E posso te garantir, ela ressignificou aquele momento de forma única: dizia-se grata por estar viva e por ter um filho lindo e saudável.
Mas até chegar a esse resultado, ela sofreu muito...
Num primeiro momento, ao ser assediada pelo padrasto ainda com 9 anos de idade, ela, que não tinha ideia do que estava acontecendo, simplesmente evitava ir para casa antes que sua mãe chegasse, depois, mais tarde, quando esse passou a assedia-la mesmo com a mãe dormindo no quarto ao lado, num ato de desespero, procurou a mesma para contar – em vão, pois a mãe dizia que era coisa da cabeça dela. Depois, ao aparecer grávida aos 12 anos, outro choque: a mãe a responsabilizou e não acreditou que o filho era do padrasto, disse que ela estava armando para acabar com o casamento deles e a expulsou de casa. E só então, depois que o bebê nasceu e o teste de paternidade foi comprovado é que a mãe voltou a falar com ela e a ajudou.
Detesto esses assuntos, mas entenda de uma vez por todas, ela poderia ter se colocado como vítima, mas não, ela fez a opção por ser grata e seguir em frente.
Essa moça não virou famosa, acorda todos os dias pela manhã para pegar um ônibus lotado para trabalhar, vive uma vida bem normal da classe C/D, equilibrando, os seus carnês e os seus sonhos, mas sempre com uma felicidade que contagia.
E sabe por quê? Porque ela fez a opção mais acertada do mundo: resolveu se amar e aceitou perdoar tudo o que havia acontecido para não carregar essa energia negativa que poderia ter dado outro destino à sua vida.
E a gente fica pequenininha diante de fatos assim... Mas não diminuo as suas dores e nem as minhas, entretanto enxergo aqui a magia de fazer da nossa mente um agente de transformação.
E se você me disser que na sua vida, nunca se fez de vítima, eu vou te mostrar que está enganada: quantas vezes, durante um simples resfriado, você fez manha só para ganhar mais atenção dos seus pais? Viu só? Essa manha calculada ou não, é uma forma de vitimização.
E se você fizer uma listinha verá que não foram poucas às vezes em que se colocou nessa posição. Porque, desde pequenas, ao percebermos que situações como adoecer ou se machucar, despertavam o lado mais maternal ou paternal de nossos pais, gerando carinho e atenção extra para nós, passamos a associar que existe um ganho em ser vítima. E a partir daí, passamos a usá-lo como moeda de troca onde, ao ganharmos mais atenção conseguimos o nosso objetivo, que é suprir a necessidade daquele momento.
Mas não se deixe iludir. Essa vitimização, que num primeiro momento é inocente - quando ainda se é criança, pouco a pouco, ganha garras que geram consequências negativas e feridas emocionais destruidoras.
Em Provérbios 27, versículos 15 e 16 diz: Goteira pingando sem parar em dia de chuva e a mulher que só reclama são irritações muito parecidas; detê-la é como tentar frear o vento, como conter o óleo com as mãos!…
Ao se comportar como vitima você se coloca em uma posição de eterna sofredora, começa a alimentar sensações e sentimentos negativos dentro de você, e por consequência atrai mais sofrimento ainda, se tornando um ciclo.
Imagino que você já tenha falado frases limitantes como essas: “eu não consigo”, “eu não nasci pra isso” ou até: “eu não tive culpa”...
Esse tipo de comportamento só gera uma consequência: a falta de compromisso com que você encara a vida, afinal, culpar o outro é a melhor forma de se eximir da responsabilidade sobre o resultado gerado. E isso te impede de buscar a sua melhor versão e de se tornar a verdadeira responsável por sua felicidade.
Somos apenas 10% do que nos acontece, os outros 90% são consequências da forma como reagimos aos acontecimentos.
Você não controle o que te acontece, mas tem total controle sobre a sua reação ao acontecimento. Os acontecimentos externos fogem do seu controle, aceite isso. Mas também aceite que você não é o que te aconteceu. Você é a forma como encara o que aconteceu!
Tristeza, dor e sofrimento todo mundo tem em algum momento da vida, isso não é exclusividade sua. Mas fazer a opção de ser uma pessoa que se torna vitima das circunstancias, negativa e que só reclama te afasta cada vez mais das pessoas e te empurra para uma vida onde você vira uma eterna dependente e passa a ser vítima de suas próprias escolhas vivendo amores mais ou menos, uma vida profissional mais ou menos, uma vida conjugal mais ou menos, amizades mais ou menos enfim, uma vida medíocre.
Entenda, a pessoa de sucesso compreende que o que aconteceu já aconteceu, não tem mais jeito. Mas a grande diferença é que ela não foca na lamentação ou no sofrimento, ela busca “o que fazer” apesar do sofrimento – tirando uma lição e aplicando essa lição à sua vida.
Busque ser você e passe a colecionar atenção, carinho e admiração das pessoas pelo que você se tornou. Alguém que, apesar de qualquer dificuldade ou adversidade, se reinventa e se transforma em sua melhor versão.
Assuma o comando do que você pode realmente controlar na sua vida e entre em ação – porque mais vale 1% de ação que 100% de teoria.


Comentários

Postagens mais visitadas